Prostate Cancer Outreach Clinic combate a desigualdade racial
A probabilidade de sobreviver ao câncer de próstata pode depender da raça. Segundo a American Association for Cancer Research (AACR), homens negros têm o dobro da probabilidade de morrer da doença em comparação com homens brancos.
"O câncer de próstata é extremamente tratável. É inadmissível que uma pessoa de uma raça tenha menor probabilidade de sobreviver do que uma pessoa de outra raça. Ter acesso ao atendimento faz toda a diferença", diz Adam Feldman, MD, MPH, urologista do Mass General Brigham e diretor de pesquisa urológica do Department of Urology do Massachusetts General Hospital.
Dr. Feldman foi cofundador da Prostate Cancer Outreach Clinic (PCOC) para enfrentar essa desigualdade alarmante no cuidado da próstata. Neste artigo, ele explica como a PCOC pode tornar o cuidado do câncer de próstata mais equitativo.
O que é a Prostate Cancer Outreach Clinic?
O Mass General Brigham lançou sua iniciativa United Against Racism em 2020 para combater e desmantelar o racismo sistêmico em todo o atendimento de saúde. Em 2022, a iniciativa financiou a PCOC como uma colaboração entre os Departments of Urology do Brigham and Women’s Hospital e do Mass General para oferecer a homens negros e de outras minorias melhor acesso ao cuidado do câncer de próstata.
A PCOC oferece educação, rastreamentos e tratamentos do câncer de próstata a pacientes sem acesso a acompanhamento adequado. A clínica oferece atendimento virtual e presencial, com apoio a pacientes vulneráveis em três locais diferentes:
- Massachusetts General Hospital
- Brigham and Women’s Hospital
- Brigham and Women’s Faulkner Hospital
Os pacientes fazem o rastreamento do câncer de próstata antes da consulta inicial com o médico. O rastreamento inclui um exame do antígeno prostático específico (PSA), que os pacientes podem fazer em qualquer laboratório do Mass General Brigham. Quem precisar de ajuda para agendar o exame pode entrar em contato com um agente comunitário de saúde pelo telefone 617-525-8731 para receber orientação.
Como a Prostate Cancer Outreach Clinic combate as barreiras ao cuidado do câncer de próstata?
Quanto mais tempo os homens esperam para receber atendimento, maior é a probabilidade de o câncer de próstata se espalhar para outras partes do corpo, como fígado, ossos ou pulmões. A taxa de sobrevivência cai drasticamente depois que isso acontece.
Pesquisas indicam que homens negros têm menos acesso ao rastreamento do câncer de próstata e podem enfrentar atrasos maiores entre o diagnóstico e o tratamento. Várias barreiras ao atendimento, incluindo confiança, letramento em saúde e transporte, contribuem para esses atrasos.
A PCOC aborda essas barreiras para ajudar pacientes de comunidades com poucos recursos a detectar o câncer de próstata nos estágios mais iniciais e tratáveis. A clínica:
- Restaura a confiança nos profissionais de saúde por meio de parcerias comunitárias, atendimento personalizado e pesquisas inclusivas
- Aumenta a conscientização sobre o câncer de próstata com educação e ações comunitárias
- Oferece assistência de transporte para consultas e atendimento virtual
Desenvolvimento da confiança por meio de parcerias comunitárias, atendimento personalizado e pesquisas inclusivas
Eliminar as barreiras ao atendimento começa pela recuperação da confiança. Para homens negros, grande parte da desconfiança decorre de abusos ocorridos há décadas em pesquisas clínicas.
Um dos exemplos mais conhecidos ocorreu em 1932, quando mais de 600 homens afro-americanos foram inscritos no estudo de sífilis de Tuskegee. Médicos do U.S. Public Health Service nunca obtiveram o consentimento informado dos participantes. Eles chegaram a impedir que muitos pacientes recebessem o melhor tratamento disponível. Quando o estudo terminou, 40 anos depois, dezenas de pacientes haviam morrido e muitos filhos tinham herdado a doença.
O cuidado não deve se limitar a rastreamento, cirurgia ou radiação. Se pretendemos combater décadas de racismo institucionalizado, precisamos fazer tudo ao nosso alcance para garantir que os pacientes tenham acesso, em primeiro lugar, a tratamentos de ponta.
Adam Feldman, MD, MPH
- Urologista
- Mass General Brigham
Parcerias comunitárias
Pesquisas indicam que homens negros têm menor probabilidade de relatar uma comunicação positiva com o médico do que homens brancos.
“Em conversas durante eventos comunitários, vários homens negros falaram conosco sobre a desconfiança na comunidade médica devido a exemplos do passado, como Tuskegee”, diz o Dr. Feldman. “As cicatrizes das injustiças do passado não desaparecem da noite para o dia.”
A PCOC recruta voluntários negros e latinos que concluíram o tratamento do câncer de próstata para compartilhar suas experiências e incentivar outras pessoas da comunidade a buscar rastreamentos e atendimento. Pesquisas mostram que muitos homens negros consideram membros da comunidade, como barbeiros e pastores, e familiares como algumas das fontes mais confiáveis de informações sobre o câncer de próstata.
Alguns homens negros e latinos podem se mostrar mais receptivos a informações fornecidas por alguém da mesma comunidade que os compreenda e tenha uma experiência semelhante. Esses voluntários conseguem se conectar pessoalmente com os pacientes.
Atendimento personalizado
Os agentes comunitários de saúde da PCOC se reúnem individualmente com pacientes encaminhados para rastreamento do câncer de próstata ou com resultados preocupantes já identificados. A clínica agenda consultas virtuais ou presenciais para pacientes com níveis elevados de PSA. Quem não apresenta níveis elevados pode fazer acompanhamento com seu profissional de atenção primária ou agendar uma consulta com um urologista do Mass General Brigham, conforme considerar adequado.
Os agentes comunitários de saúde também avaliam o plano de saúde do paciente para determinar se ele pode receber atendimento em um centro de saúde do Mass General Brigham. Se puder, ajudam a agendar uma consulta.
Se o plano de saúde não cobrir o atendimento, o agente trabalha com um membro da equipe de assistência financeira para identificar outras instituições que aceitem o plano. Esses agentes também ajudam a agendar consultas de acompanhamento, especialmente para pacientes que falam outro idioma. Os serviços de intérprete ajudam a facilitar a comunicação entre idiomas diferentes.
Nas consultas de acompanhamento, os pacientes trabalham com o Dr. Feldman para realizar outros exames diagnósticos. Isso pode envolver a retirada de uma amostra minúscula da próstata, por biópsia com agulha, ou a obtenção de imagens de sua superfície por MRI (ressonância magnética). Depois que um dos médicos confirma o diagnóstico de câncer de próstata, o médico trabalha com o paciente para estabelecer um plano de tratamento adequado à gravidade da doença.
Pesquisa
Nas últimas décadas, os cientistas concentraram-se em vários possíveis genes responsáveis pelo câncer de próstata. No entanto, as pesquisas geralmente avaliaram os genes de pacientes brancos, apesar de evidências indicarem que fatores genéticos específicos de homens negros podem aumentar o risco de desenvolver câncer de próstata.
Sem maior representação nos estudos, os médicos talvez não compreendam completamente os riscos dos genes específicos de pacientes negros e de outras minorias. Voluntários da PCOC que relatam suas experiências em estudos anteriores podem reduzir a desconfiança de possíveis participantes e incentivar mais homens negros a participar de pesquisas.
Educação comunitária aumenta a conscientização sobre o câncer de próstata
A American Cancer Society sugere que homens com risco médio de câncer de próstata considerem o rastreamento aos 50 anos. Para pacientes considerados de alto risco, como afro-americanos, as diretrizes recomendam iniciar as conversas sobre rastreamento aos 45 anos.
Infelizmente, muitos homens negros relatam não ter informações suficientes sobre o rastreamento do câncer de próstata. Sem compreender plenamente os sinais preocupantes da doença ou as considerações sobre o rastreamento, os pacientes podem perder a melhor oportunidade de tratá-la.
A PCOC faz parcerias com organizações comunitárias de base em comunidades sub-representadas para aumentar a conscientização em eventos realizados em igrejas, centros de saúde comunitários e clubes esportivos. Os eventos variam de feiras e encontros sobre saúde a reuniões virtuais. Em cada um deles, profissionais de saúde e agentes comunitários de saúde orientam a comunidade sobre rastreamentos da saúde masculina e respondem a dúvidas e preocupações sobre tratamentos do câncer de próstata.
Assistência de transporte e consultas virtuais ampliam o acesso a rastreamento, diagnóstico e atendimento
Os tratamentos do câncer de próstata podem exigir várias consultas presenciais. A radioterapia, por exemplo, pode levar um ano ou mais para ser concluída. Mesmo depois do tratamento, os médicos recomendam rastreamentos regulares para garantir que o câncer não retorne, o que é chamado de recorrência.
Pacientes sem carro muitas vezes dependem de ônibus ou trem para ir às consultas. Em vez de dirigir menos de 20 minutos até uma consulta, o trajeto pode levar uma hora ou mais.
Um programa-piloto de transporte por aplicativo financiado por uma verba do U.S. Department of Defense oferece transporte gratuito para as consultas. A clínica também oferece consultas virtuais para reduzir ao mínimo a necessidade de deslocamento. Os médicos também fazem adaptações prontamente.
Avanços em pesquisas do Mass General Brigham levam cuidados que salvam vidas a pacientes negros e de outras minorias
As ações comunitárias da PCOC conectam esses pacientes a exames e tratamentos de excelência no Mass General Brigham Cancer Institute.
Pesquisadores do Mass General Brigham melhoraram a forma como os médicos personalizam os tratamentos do câncer de próstata. Alguns dos trabalhos mais promissores envolvem:
- Inteligência artificial (AI) no atendimento de saúde: Dr. Feldman e seus colegas da Harvard Medical School foram os primeiros a avaliar se o aprendizado de máquina pode melhorar a previsão da progressão do câncer de próstata. Os estudos indicam que o aprendizado de máquina pode levar a diagnósticos mais rápidos. Os pesquisadores do Mass General Brigham planejam desenvolver um modelo capaz de prever os resultados de determinados cânceres de próstata.
- Descobertas sobre medicamentos: Pesquisadores do Brigham and Women’s Hospital descobriram que o medicamento quimioterápico docetaxel pode aumentar a taxa de sobrevivência de homens com câncer de próstata que têm um prognóstico ruim.
- Técnicas avançadas de radiação: O Mass General foi um dos primeiros hospitais do mundo a estabelecer um programa de radioterapia com prótons. O programa oferece radiação por feixe de prótons, que usa “feixes” concentrados de alta energia para atingir o câncer de próstata com mais precisão do que a radiação convencional.
Combate às desigualdades no câncer de próstata em todo o Mass General Brigham
Várias instituições do Mass General Brigham ajudam a equipe da PCOC a compreender e combater melhor as desigualdades no cuidado do câncer de próstata.
O Center for Surgery and Public Health at Brigham and Women’s Hospital ampliou o estudo das desigualdades para as regiões rurais. As pessoas dessas regiões muitas vezes têm transporte limitado e renda mais baixa, o que pode agravar obstáculos também comuns entre moradores de áreas urbanas.
Enquanto isso, o Prostate Cancer Genetics Program at Mass General investigou se os rastreamentos por MRI conseguem detectar o câncer mais cedo em homens com mutações genéticas conhecidas por favorecer a doença. Os pesquisadores descobriram que os rastreamentos por MRI detectaram cânceres que um exame de PSA ou toque retal não teria identificado.
“O cuidado não deve se limitar a rastreamento, cirurgia ou radiação”, diz o Dr. Feldman. “Se pretendemos combater décadas de racismo institucionalizado, precisamos fazer tudo ao nosso alcance para garantir que os pacientes tenham acesso, em primeiro lugar, a tratamentos de ponta.”