Evitar uma cirurgia aberta para substituir uma válvula cardíaca com falha: A história de Bob
Bob Foley é um homem ativo de 61 anos que gosta de pedalar, nadar, treinar lacrosse e passear de barco. Ninguém imaginaria que ele nasceu com um coração doente.
O coração humano tem quatro câmaras. As duas câmaras inferiores são os ventrículos. O ventrículo direito bombeia sangue para os pulmões. O ventrículo esquerdo bombeia sangue para o restante do corpo. Bob nasceu com uma condição cardíaca congênita rara na qual o ventrículo direito fica onde deveria estar o esquerdo, e vice-versa.
Pessoas com os ventrículos transpostos podem desenvolver vazamentos nas válvulas cardíacas e cardiomiopatia, ou enfraquecimento do músculo cardíaco. Embora Bob tenha sido uma criança saudável e apaixonada por esportes, era apenas uma questão de tempo até surgirem problemas cardíacos.
Aos 42 anos, Bob recebeu o diagnóstico de regurgitação da válvula tricúspide, condição que ocorre quando a válvula tricúspide do coração não fecha adequadamente e apresenta vazamento. Ele passou por uma substituição cirúrgica da válvula em um hospital infantil onde era acompanhado desde o diagnóstico de doença cardíaca congênita (CHD), por volta dos 6 anos de idade.
Essa válvula protética durou quase duas décadas. Então, quando Bob tinha 61 anos, ela começou a falhar. Como resultado, seu coração entrou em choque cardiogênico. Essa é uma condição com possível risco de vida na qual o coração não consegue bombear sangue suficiente para atender às necessidades dos órgãos do corpo.
"Como o coração de Bob nunca foi normal, até uma pequena mudança, como um novo problema na válvula, pode fazer o ventrículo direito ter dificuldades e provocar uma rápida piora", disse a cardiologista Doreen DeFaria Yeh, MD, do Mass General Brigham. "E foi isso que aconteceu com ele."
Risco de parada cardíaca
Cinco anos atrás, Bob decidiu transferir seus cuidados de CHD para um hospital de adultos. Depois de ler avaliações positivas on-line, ele entrou em contato com a Dra. DeFaria no Instituto de Coração e Vasos do Mass General Brigham. A Dra. DeFaria é especialista no cuidado de pacientes adultos com CHD. Desde então, Bob recebe cuidados da Dra. DeFaria e de seu colega, Christopher Newton-Cheh, MD, MPH, especialista em insuficiência cardíaca avançada.
Certa manhã, durante uma folga de seu trabalho como diretor de educação pós-secundária em uma escola técnica, Bob começou a ter dificuldade para respirar. Ele disse à esposa, Cathy, que iria a um serviço de urgência para verificar se havia algum problema.
Quando chegou, ainda tinha dificuldade para respirar e também sentia aperto no peito. "Entrei e pedi que chamassem uma ambulância", disse ele.
A ambulância levou Bob a um hospital comunitário local. No início, os médicos acharam que ele tinha pneumonia. Depois, mudaram o diagnóstico para edema pulmonar, ou acúmulo de líquido nos pulmões. Naquela noite, ele foi internado na unidade de cuidados intensivos cardíacos.
A seu pedido, Bob foi transferido para o Massachusetts General Hospital alguns dias depois. Até então, seu estado havia piorado muito. Ao reconhecer que ele estava gravemente doente, a Dra. DeFaria chamou imediatamente especialistas em ultrassonografia cardíaca de CHD do adulto para realizar exames de imagem e determinar com maior precisão o que estava acontecendo.
"Estava claro que a válvula tricúspide não funcionava e que ele precisava de uma intervenção", disse a Dra. DeFaria. "Mobilizamos uma equipe multidisciplinar — nossos médicos que realizam procedimentos em válvulas congênitas, especialistas em insuficiência cardíaca avançada e médicos de cuidados intensivos cardíacos — e nos preparamos para um procedimento de emergência. Se não agíssemos rapidamente, ele poderia ter sofrido uma parada cardíaca em até 24 horas."
Uma solução minimamente invasiva para uma anatomia cardíaca complexa
Uma cirurgia de coração aberto seria arriscada demais para o coração de Bob. A equipe sabia que precisava de uma opção menos invasiva. A Dra. DeFaria e seus colegas, incluindo Sihong Huang, MD e outros cardiologistas especializados em ACHD, optaram por fazer uma substituição de válvula por cateter.
Na substituição de válvula por cateter, são feitas pequenas incisões na virilha. Em seguida, um cardiologista intervencionista usa orientação por imagem para conduzir um cateter, ou tubo fino, por uma veia da perna até o coração. Ali, uma nova válvula biológica é colocada dentro da antiga.
O cardiologista intervencionista de CHD Ignacio Inglessis-Azuaje, MD realizou o procedimento. A ampla experiência do Dr. Inglessis-Azuaje com substituição de válvula por cateter e seu conhecimento em intervenções de ACHD foram essenciais devido à complexidade dos ventrículos transpostos de Bob.
"A maioria dos médicos raramente tem a oportunidade de realizar esse procedimento nessa anatomia cardíaca específica, em que os ventrículos e as válvulas estão invertidos", disse ela. "Como tem grande experiência em intervenções por cateter para CHD em adultos, o Dr. Inglessis-Azuaje conseguiu navegar pelo coração de Bob e colocar a nova válvula exatamente onde precisava estar."
Os resultados foram imediatos. Nos dois primeiros dias, a pressão arterial de Bob voltou aos níveis normais, e o líquido deixou de se acumular nos pulmões. Mas, nas primeiras horas após o procedimento, ele ainda estava sonolento e não conseguia assimilar as notícias animadoras que os médicos lhe davam.
"Eu não fazia ideia de que tudo tinha corrido tão bem", contou, rindo. "Disse à minha filha: 'Escute, preciso fazer planos para garantir que você, sua mãe e seus irmãos fiquem bem.' E ela respondeu: 'Não, pai, você vai ficar bem.'"
"Nunca tive uma médica melhor"
Cerca de uma semana e meia após o procedimento, Bob recebeu alta e voltou para sua casa em Kingston, Massachusetts. No início, ele se movimentava lentamente, com caminhadas curtas e ritmo cuidadoso, mas conseguia subir as escadas até o quarto. Sua força e resistência voltaram rapidamente. Em poucas semanas, ele e Cathy faziam caminhadas de três milhas em ritmo constante durante as férias na Flórida.
Bob elogiou muito sua equipe de cuidados do Mass General Brigham, especialmente a Dra. DeFaria.
"Nunca tive uma médica melhor do que ela. Havia uma atenção que eu nunca tinha vivenciado", disse ele. "E ela nunca ditou o que eu precisava fazer. Em vez disso, explicou o que eu precisava mudar e qual seria o resultado. É mais ou menos como abordo o treinamento de jogadores de lacrosse."
Menos de seis meses após o procedimento, Bob está quase tão ativo quanto antes. Além de pedalarem juntos regularmente, ele e Cathy saem em seu barco Sea Ray de 32 pés quase todos os fins de semana. A vida voltou a ser boa.
"Sou eternamente grato à Dra. DeFaria, ao Dr. Newton-Cheh, ao Dr. Inglessis-Azuaje e a todas as outras pessoas que cuidaram de mim no Mass General Brigham", disse Bob. "Não tenho palavras suficientes para elogiá-los. Quero dizer, devo minha vida a eles."