O que é medicina regenerativa?
Mesmo depois de otimizar sua saúde e seu bem-estar, você pode continuar sentindo dor por causa de uma lesão de longa duração ou de artrite e começar a procurar outra opção. A medicina regenerativa, uma área inovadora da medicina que busca ajudar o corpo a se recuperar, pode ser uma alternativa.
Medicina esportiva regenerativa
A medicina esportiva regenerativa pode ajudar a tratar problemas persistentes nas articulações e nos tendões em todo o corpo. Essas terapias, oferecidas no novo Regenerative Medicine Program do Mass General Brigham, têm como objetivo melhorar a função, reduzir a dor e diminuir a inflamação crônica.
“A medicina esportiva regenerativa e os ortobiológicos, que são um subconjunto desses tratamentos, podem ser eficazes para alguns pacientes ao aumentar a capacidade de cicatrização e recuperação após uma lesão”, explica Joanne Borg Stein, MD, especialista em medicina física e reabilitação (PM&R) e em medicina esportiva do Mass General Brigham. Ela trata pacientes com terapias de medicina regenerativa há mais de 20 anos.
Quando considerar terapias de medicina regenerativa e ortobiológicos?
“A medicina regenerativa não deve ser a primeira opção de tratamento”, diz a Dra. Borg Stein. Quando os tratamentos conservadores não funcionam, os especialistas avaliam se você:
- Descansou o suficiente ou ajustou a carga dos treinos
- Fez reabilitação de forma consistente (fisioterapia ou terapia ocupacional)
- Otimizou sua alimentação e seu sono
Ela explica que foi demonstrado que todas essas medidas, por si só, ajudam a promover a recuperação. Elas também podem aumentar as chances de sucesso das terapias de medicina regenerativa se você decidir seguir adiante com o tratamento.
Quais são os tratamentos de medicina regenerativa?
Os procedimentos de medicina regenerativa incluem terapias não invasivas, injeções nas articulações e cirurgias. Médicos de medicina esportiva com treinamento especializado realizam esses procedimentos. A maioria desses procedimentos é realizada no consultório médico com orientação por imagem, que permite visualizar claramente a área lesionada e direcionar o tratamento com precisão. Embora essas terapias não tratem diretamente lesões da cartilagem, elas costumam ser realizadas em conjunto com tratamentos da cartilagem e/ou cirurgias.
Terapia extracorpórea por ondas de choque
A terapia extracorpórea por ondas de choque é uma terapia não invasiva que utiliza ondas de pressão, sonoras ou eletromagnéticas de alta velocidade. A terapia é aprovada pela agência reguladora dos EUA, a Food and Drug Administration (FDA), para o tratamento de fascite plantar e cotovelo de tenista, e pesquisas mostram que ela também pode ajudar a tratar lesões esportivas, como tendinite de Aquiles, dos isquiotibiais e do ombro.
“Quando aplicada a uma lesão, a terapia por ondas de choque pode melhorar o fluxo sanguíneo, reduzir a dor e estimular uma resposta de cicatrização”, diz a Dra. Borg Stein. “Estudos clínicos também demonstraram que ela pode estimular a liberação de fatores de crescimento no organismo.” Os fatores de crescimento atraem componentes importantes para a região, que podem ajudar a promover o crescimento de novos tecidos.
Injeções de proloterapia
Especialistas em medicina esportiva usam injeções de proloterapia para tratar lesões do tecido conjuntivo. Pesquisas sobre proloterapia destacam seu potencial para reduzir a dor causada por osteoartrite leve a moderada, lesões dos ligamentos da articulação sacroilíaca (SI) e tendinopatia.
Na proloterapia, é injetada no tecido lesionado uma solução feita com concentrações específicas de dextrose (água com açúcar), solução salina (sal e água) e um medicamento anestésico. “Estudos demonstraram que o próprio concentrado de dextrose pode estimular a liberação de fatores de crescimento”, explica a Dra. Borg Stein. “Ele também pode provocar uma inflamação temporária na região, com o objetivo de reativar um processo de cicatrização que talvez tenha ficado estagnado.”
Como todas as terapias injetáveis, a proloterapia utiliza uma técnica especial de introdução da agulha durante a aplicação, com o objetivo de aumentar a resposta de cicatrização do organismo.
Tanto a proloterapia quanto a terapia extracorpórea por ondas de choque são opções de tratamento atraentes quando parar de treinar não está nos planos. “Costumamos fazer esses tratamentos em atletas durante a temporada, às vezes combinando um com o outro”, diz a Dra. Borg Stein. “Na maioria dos casos, há pouco ou nenhum tempo de afastamento.”
Injeções de plasma rico em plaquetas (PRP)
As injeções de PRP, o ortobiológico mais comum, utilizam as plaquetas do seu próprio sangue. As plaquetas contêm centenas de proteínas chamadas fatores de crescimento, que participam da cicatrização de lesões. Os especialistas isolam essas plaquetas e injetam bilhões delas na região a ser tratada.
“Essas pequenas potências contêm fatores de crescimento que são usados para ajudar a estimular uma resposta de cicatrização. Elas também contêm substâncias químicas que podem ajudar a reduzir a inflamação”, explica a Dra. Borg Stein.
As injeções de PRP são indicadas para uma ampla variedade de lesões, especialmente lesões crônicas dos tendões e osteoartrite leve a moderada. Você precisará de algum tempo para se recuperar, portanto, planeje retomar as atividades aos poucos após o tratamento.
Transferência de tecido
Os ortobiológicos também incluem procedimentos que retiram gordura ou medula óssea do seu corpo e as transferem para a região lesionada. Embora esses procedimentos sejam mais invasivos, mais caros e exijam um tempo de recuperação maior do que outras injeções, nossos médicos observaram que eles podem proporcionar benefícios duradouros para alguns pacientes.
“Os procedimentos de transferência de gordura envolvem diversos tipos de células que usamos para dar suporte a tecidos com artrite e lesionados. E o aspirado de medula óssea contém uma molécula anti-inflamatória muito potente”, diz a Dra. Borg Stein. Os especialistas costumam recorrer a esses procedimentos quando as injeções de PRP não funcionaram ou não funcionaram suficientemente bem. Eles também são indicados para pacientes com lesões ósseas ou artrite em várias articulações.
Procedimentos minimamente invasivos nos tendões
Seu médico pode recomendar um procedimento especializado no tendão em vez de terapia extracorpórea por ondas de choque ou injeções para aliviar a tendinopatia. A dor no tendão muitas vezes ocorre quando a estrutura fica sobrecarregada ou sofre desgaste.
Na tenotomia percutânea com agulha, uma agulha atravessa o tendão lesionado com o objetivo de estimular uma resposta de cicatrização. A tenotomia percutânea ultrassônica (PUT) utiliza um dispositivo especializado com agulha que libera energia ultrassônica para ajudar a remover tecido anormal do tendão lesionado.
O papel da fisioterapia na medicina esportiva e regenerativa
A fisioterapia e a manutenção do movimento têm um papel fundamental no sucesso do tratamento. No Regenerative Medicine Program, você faz pelo menos uma consulta de fisioterapia antes do procedimento e outra 2 semanas depois.
“A fisioterapia é uma parte essencial do que fazemos”, destaca a Dra. Borg Stein. “Não queremos limitar você por tempo demais, mas também não queremos exigir demais do seu corpo cedo demais. Trabalhamos lado a lado com nossos colegas da fisioterapia para otimizar seu tratamento e sua recuperação.”
Há muitos lugares onde você pode fazer terapias de medicina regenerativa e tratamentos com ortobiológicos. Mas não há tantos lugares onde você encontra esse nível de atendimento e especialização.
Joanne Borg Stein, MD
- Especialista em medicina esportiva, Mass General Brigham
A medicina esportiva regenerativa é segura?
“Analisamos cuidadosamente quem pode ser candidato a cada tratamento, levando em conta o histórico médico e as evidências das pesquisas”, diz a Dra. Borg Stein. “Todo procedimento envolve riscos, como dor local, hematomas e sangramento. Você pode se sentir pior antes de começar a melhorar. O tratamento pode não funcionar. É preciso estar ciente de tudo isso.”
Acima de tudo, a Dra. Borg Stein recomenda procurar um médico em quem você possa confiar. Nem todos os lugares que oferecem tratamentos de medicina esportiva regenerativa têm o mesmo nível de diligência, cautela e responsabilidade.
“Nosso programa prioriza a segurança do paciente”, enfatiza a Dra. Borg Stein. “Temos procedimentos operacionais muito rigorosos e bem controlados. Usamos técnicas cuidadosas e estéreis, além de orientação por imagem. E somos muito precisos ao aplicar a terapia exatamente no tecido-alvo.”
Pesquisa contínua para oferecer atendimento de qualidade
Os especialistas em medicina esportiva do Mass General Brigham continuam estudando a medicina regenerativa nos níveis celular e de reabilitação. Suas pesquisas abrangentes buscam fazer a ciência e os tratamentos avançarem, mantendo o Regenerative Medicine Program na vanguarda das inovações mais recentes.
No programa, você encontra líderes reconhecidos em medicina esportiva regenerativa e uma equipe de fisioterapia altamente qualificada. “Há muitos lugares onde você pode fazer terapias de medicina regenerativa e tratamentos com ortobiológicos. Mas não há tantos lugares onde você encontra esse nível de atendimento e especialização”, comenta a Dra. Borg Stein.