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Nutrição e insuficiência cardíaca: Como controlar o consumo de sódio

Colaboradora
Mary Hyer, RD, LDN, CCRP
Homem verifica o conteúdo de uma lata de sopa no supermercado

Quando você tem insuficiência cardíaca, seu coração não bombeia sangue suficiente para atender às necessidades do corpo. Como resultado, você pode apresentar uma série de problemas de saúde.

“Quando pensamos em nutrição, o grau da insuficiência cardíaca é relevante”, diz Mary Hyer, RD, LDN, CCRP, nutricionista de reabilitação cardíaca da Mass General Brigham. “Embora a nutrição seja importante em todas as fases da condição, quanto mais grave for a insuficiência cardíaca, mais atenção você precisará dar à alimentação.”

Hyer cuida de pacientes cardíacos no Elfers Cardiovascular Center do Newton-Wellesley Hospital, ajudando-os a desenvolver estratégias de alimentação saudável para controlar a insuficiência cardíaca e outras condições.

Insuficiência cardíaca e consumo de sódio

O excesso de sódio, ou sal, faz o corpo reter mais líquido. Na insuficiência cardíaca, o corpo pode reter mais líquido do que o normal, o que sobrecarrega o coração. Em estágios avançados, pode haver acúmulo de líquido, o que reforça a importância de controlar a pressão arterial. Por isso, é especialmente importante que pessoas com insuficiência cardíaca controlem o consumo de sal.

As diretrizes alimentares gerais recomendam limitar o sódio a 2.300 miligramas ou menos por dia. Se você tiver uma condição cardíaca, como insuficiência cardíaca, seu profissional de saúde poderá recomendar um consumo de sódio ainda menor.

Para contextualizar, a Food and Drug Administration informa que uma pessoa nos EUA consome, em média, cerca de 3.400 miligramas de sódio por dia. Quando você considera que 2.300 miligramas equivalem a apenas uma colher de chá de sal de cozinha, percebe rapidamente como pode ser difícil seguir as recomendações.

Preste atenção à quantidade de sal que usa ao cozinhar. Seu paladar se adapta, e você pode se acostumar a usar menos.

Mary Hyer, RD, LDN, CCRP

  • Nutricionista de reabilitação cardíaca
  • Mass General Brigham

Dicas para reduzir o consumo de sódio

O primeiro passo para controlar o consumo de sódio é preparar mais refeições em casa, para poder controlar a quantidade de sal nos alimentos. “Preste atenção à quantidade de sal que usa ao cozinhar”, diz Hyer. “Seu paladar se adapta, e você pode se acostumar a usar menos.”

Há várias outras medidas que você pode tomar para controlar a quantidade de sódio que consome:

Use ervas e temperos

Aprenda a temperar os alimentos com mais ervas e especiarias e experimente usar alho, cebola ou pimenta em flocos. Ou adicione pimentas frescas para dar mais sabor picante. Resista à vontade de usar molhos engarrafados, pois eles estão entre as fontes mais comuns de sódio oculto na alimentação dos EUA.

Aprenda a ler os rótulos nutricionais

Sempre que pegar um alimento embalado, consulte a tabela de informações nutricionais. Observe especialmente três partes importantes do rótulo:

  1. Ingredientes: A lista de ingredientes contém principalmente alimentos integrais? Se houver muitos ingredientes que você não reconhece, o alimento provavelmente contém aditivos que podem não fazer bem à saúde do coração.
  2. Teor de sódio: Todo rótulo nutricional deve informar quantos miligramas de sódio há em cada porção. Menos de 140 miligramas de sódio por porção é considerado um teor baixo.
  3. Tamanho da porção: Na parte superior do rótulo, você encontrará o tamanho recomendado da porção e quantas porções há na embalagem. Lembre-se de que a quantidade indicada de sódio em miligramas corresponde a cada porção. Se um produto contém 2 porções e você come toda a embalagem, está consumindo o dobro da quantidade de sódio indicada no rótulo.

Cuidado com alegações publicitárias sobre o sódio

Palavras como “reduzido” e leve” não significam que o alimento tenha baixo teor de sódio. Elas apenas indicam que o produto contém menos sódio do que produtos semelhantes. E “sem adição de sal” significa apenas que o fabricante não acrescentou sal na etapa final. Isso não informa a quantidade de sódio natural usada antes dessa etapa. É importante aprender a ler os rótulos para não se deixar enganar por esses termos publicitários.

Preste atenção aos seus hábitos em restaurantes

Ao comer em um restaurante, é difícil saber exatamente quanto sódio há nos alimentos. Isso não significa que você nunca possa comer fora. Mas reserve as refeições em restaurantes para ocasiões especiais, em vez de todos os dias.

“Não há problema em querer aproveitar, mas tente manter sua saúde como prioridade”, diz Hyer. Ela recomenda pedir que ingredientes com mais sódio, como molhos para salada, sejam servidos à parte, para você ter maior controle sobre o consumo.

O controle das porções também é essencial, e você pode pedir ao atendente que embale metade do pedido antes mesmo de levá-lo à mesa. “Não tenha medo de pedir mudanças”, aconselha Hyer. “Pessoas com alergias potencialmente fatais fazem pedidos especiais o tempo todo. Os restaurantes estão acostumados, e é importante priorizar sua saúde.”

Cuidados com a nutrição geral na insuficiência cardíaca

O sódio é um dos aspectos mais importantes da alimentação quando você tem insuficiência cardíaca. Mas também é essencial manter uma alimentação nutritiva de modo geral. Preste atenção especialmente a estas recomendações:

  • Evite ou limite o álcool: Mesmo o consumo leve a moderado de álcool pode afetar o coração. Especificamente, ele pode afetar o sistema elétrico e o próprio músculo do coração. Como a insuficiência cardíaca já afeta o funcionamento do músculo cardíaco, as pessoas com essa condição devem considerar não consumir álcool.
  • Priorize as fibras: Muitas pessoas apresentam constipação como efeito colateral dos medicamentos para insuficiência cardíaca, da redução da atividade física e da restrição de líquidos. Escolha frutas frescas, verduras, legumes e grãos integrais para aumentar o consumo de fibras. As fibras favorecem a digestão e a saúde geral do coração.
  • Reduza o consumo de açúcar: O excesso de açúcar aumenta o risco de problemas cardíacos e outras condições de saúde, como resistência à insulina e diabetes tipo 2. A American Heart Association recomenda limitar os açúcares adicionados a menos de 30 gramas por dia. Nos rótulos dos alimentos, procure “açúcares adicionados” dentro de “açúcares totais.”
  • Mantenha-se hidratado: Manter uma hidratação adequada, especialmente com água, é essencial. No entanto, à medida que a insuficiência cardíaca progride, seu médico pode orientar você a monitorar o consumo de líquidos e limitar a quantidade ingerida. Tente reduzir ao mínimo a cafeína, os sucos, as bebidas adoçadas e os adoçantes artificiais. Considere adicionar uma fatia de limão à água, beber água com gás ou tomar chás de ervas.
  • Cuidado com alimentos ricos em gorduras saturadas: Seu corpo precisa de algumas gorduras, mas você deve prestar atenção à quantidade consumida para ajudar a controlar o peso. Também é importante limitar gorduras saturadas, como carnes vermelhas, laticínios e carnes processadas, que podem aumentar o colesterol. O colesterol alto aumenta o risco de muitos problemas e complicações cardíacas. Escolher gorduras saudáveis, como castanhas, sementes e peixes gordurosos, ajuda a manter níveis saudáveis de colesterol.

Controle da insuficiência cardíaca no longo prazo

A constância é fundamental para controlar a insuficiência cardíaca. Hyer observa que a maioria das internações relacionadas à insuficiência cardíaca está associada à retenção de líquidos e ao alto consumo de sódio. Embora uma alimentação saudável de modo geral seja importante para controlar a insuficiência cardíaca, grandes mudanças às vezes podem parecer difíceis demais. Concentrar-se em apenas um fator importante, como o sódio, pode fazer uma grande diferença.

Se você recebeu o diagnóstico de insuficiência cardíaca, pergunte ao médico se pode participar de reabilitação cardíaca. Um nutricionista de reabilitação cardíaca pode oferecer orientações personalizadas para controlar a insuficiência cardíaca. Esse profissional analisa seu diagnóstico, exames de sangue, medicamentos e estilo de vida para oferecer um plano alimentar individualizado.

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