Quais são os efeitos da poluição do ar sobre a saúde?
Michael Osborne, MD
Mesmo que você não consiga vê-la nem senti-la pelo cheiro, a poluição do ar ainda pode prejudicar sua saúde. Segundo a World Health Organization (WHO), a contaminação do ar que respiramos causa mais de 6,7 milhões de mortes prematuras por ano.
“A poluição do ar parece ter potencial para afetar quase todos os sistemas do corpo humano. As partículas entram no corpo pelos pulmões e chegam à corrente sanguínea. Onde quer que essas partículas se concentrem em grandes quantidades, causam inflamação e danos às células e aos tecidos que podem resultar em doenças”, afirma Michael Osborne, MD, cardiologista do Mass General Brigham e diretor associado de Nuclear Cardiology do Massachusetts General Hospital.
Muitas pessoas associam a poluição do ar ao câncer de pulmão e a outras doenças respiratórias. No entanto, ela também é responsável por mais doenças cardiovasculares do que fatores de risco bem conhecidos, como diabetes, tabagismo e obesidade, acrescenta o Dr. Osborne.
Entender como a poluição do ar afeta sua saúde pode ajudar você a se proteger.
Entenda a poluição do ar
A WHO define poluição do ar como “a contaminação do ambiente interno ou externo por qualquer agente químico, físico ou biológico que modifique as características naturais da atmosfera”. Essa contaminação pode envolver gases ou partículas inaláveis.
Algumas das causas mais comuns de poluição do ar são:
- Dispositivos de combustão, que queimam combustíveis para aquecimento, preparo de alimentos ou outras finalidades
- Veículos motorizados, como carros, ônibus e aviões
- Contaminantes internos, como produtos químicos e fumaça de cigarro
- Instalações industriais
- Incêndios florestais
Os níveis de poluição variam conforme a atividade que a causa, a área verde próxima, a temperatura do ar e outros fatores. Áreas com muita atividade industrial, população densa ou tráfego intenso, como rodovias e aeroportos, tendem a apresentar níveis mais altos de poluição.
Órgãos governamentais e organizações ambientais frequentemente tentam estabelecer padrões para níveis de poluição considerados inseguros. Esses limites vêm diminuindo ao longo do tempo à medida que aprendemos mais sobre os efeitos prejudiciais da poluição. No entanto, 99% das pessoas no mundo ainda vivem em áreas onde a poluição do ar supera as diretrizes da WHO.
“As pesquisas indicam que as consequências da exposição à poluição do ar para a saúde ocorrem em níveis muito inferiores aos limites definidos por essas organizações”, afirma o Dr. Osborne. “Portanto, não parece realmente existir um nível totalmente seguro.”
Efeitos da poluição sonora sobre a saúde humana
O Dr. Osborne considera a poluição sonora um tipo de poluição ambiental, e ela pode afetar sua saúde de maneiras semelhantes.
“A poluição sonora é um fator de estresse comum. Ela costuma coexistir com outros poluentes ambientais em áreas de atividade industrial e urbana”, afirma ele.
Alguns exemplos incluem:
- Carros
- Caminhões
- Trens
- Aviões
- Obras
- Ambientes de trabalho barulhentos
A pesquisa do Dr. Osborne demonstra os efeitos da poluição sonora sobre a saúde. Ela também causa inflamação no corpo humano e é um fator de risco para doenças cardiovasculares. A elevação simultânea da poluição do ar e da poluição sonora tem um efeito aditivo e aumenta muito a progressão das doenças cardiovasculares, acrescenta ele.
As pessoas podem presumir que não estão expostas se não conseguem ver nem sentir a poluição pelo cheiro. Mas isso simplesmente não é verdade. Precisamos pensar em estratégias para reduzir a produção de poluição do ar. Serão necessários avanços tecnológicos contínuos e regulamentações para evitar ao máximo a liberação dessas partículas.
Michael Osborne, MD
- Cardiologista, Mass General Brigham
Problemas de saúde causados pela poluição do ar
O Dr. Osborne alerta que a poluição do ar pode causar problemas de saúde, principalmente doenças cardiovasculares. Ela causa inflamação sistêmica, que pode levar ao acúmulo de placas e à formação de coágulos sanguíneos nas artérias. As placas e os coágulos podem, por sua vez, causar pressão alta, ataque cardíaco, insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral.
Um de seus estudos recentes comparou dados de monitores de poluição com a incidência de eventos cardiovasculares. A análise constatou que as pessoas que vivem em áreas com maior poluição apresentam mais inflamação nas artérias e mais eventos cardiovasculares.
A poluição também está associada a:
- Câncer
- Diabetes
- Doenças pulmonares, como doença pulmonar obstrutiva crônica (COPD) e asma
Como minimizar os efeitos da poluição do ar sobre a saúde
Para reduzir os efeitos da poluição sobre a saúde, o Dr. Osborne recomenda as seguintes estratégias:
- Consulte regularmente o Índice de Qualidade do Ar. O Índice de Qualidade do Ar é uma escala numérica e codificada por cores que vai de 0 a 100. Ela considera fatores como ozônio ao nível do solo, partículas no ar, monóxido de carbono, dióxido de enxofre e dióxido de nitrogênio. Pontuações baixas, de 1 a 100, indicam qualidade do ar boa a moderada, enquanto pontuações altas, de 101 a 500, indicam níveis de poluição insalubres a perigosos. Acesse AirNow.gov e informe seu código postal. O site gerará um gráfico de fácil leitura sobre a qualidade do ar atual e prevista.
- Faça as atividades em ambientes fechados. Quando a qualidade do ar estiver ruim, feche as janelas e opte por fazer atividades dentro de casa, principalmente exercícios.
- Instale um filtro. Melhore a filtragem do seu sistema de aquecimento, ventilação e ar-condicionado (HVAC) e troque o filtro regularmente.
- Apague o fogo de maneira responsável. Evite incêndios florestais apagando completamente fogueiras e outras chamas.
- Converse com seu médico se você já tiver problemas cardíacos ou pulmonares. Ele pode ajudar você a entender quais níveis de qualidade do ar são seguros ou não para você.
- Use uma máscara. Considere usar uma máscara quando o Índice de Qualidade do Ar estiver acima de 101 ou se você tiver um problema cardíaco ou pulmonar. Uma máscara N95 é a melhor opção para filtrar partículas finas.
“As pessoas podem presumir que não estão expostas se não conseguem ver nem sentir a poluição pelo cheiro. Mas isso simplesmente não é verdade”, afirma ele. “Precisamos pensar em estratégias para reduzir a produção de poluição do ar. Serão necessários avanços tecnológicos contínuos e regulamentações para evitar ao máximo a liberação dessas partículas.”