Diretrizes de rastreamento do câncer de pulmão
O câncer de pulmão é a principal causa de morte por câncer nos Estados Unidos, tanto entre homens quanto entre mulheres, segundo o Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Quanto mais cedo ele for diagnosticado, melhor será o resultado.
Lecia Sequist, MD, MPH, oncologista clínica do Mass General Brigham Cancer Institute, explica quem deve fazer o rastreamento do câncer de pulmão e qual papel o histórico familiar pode desempenhar na doença.
Critérios para rastreamento do câncer de pulmão
Nem todo câncer de pulmão está relacionado ao tabagismo, mas o rastreamento atual só tem eficácia comprovada em pessoas com histórico de uso de tabaco. A U.S. Preventive Services Task Force (USPSTF) atualizou as diretrizes de rastreamento do câncer de pulmão em março de 2021 para ampliar a elegibilidade.
O rastreamento do câncer de pulmão agora é recomendado para pessoas que:
- Têm entre 50 e 80 anos
- Fumam atualmente ou pararam de fumar nos últimos 15 anos
- Fumaram pelo menos 20 anos-maço
Os anos-maço são calculados multiplicando o número de anos em que a pessoa fumou pelo número de maços fumados por dia. Vinte anos-maço significam que a pessoa fumou o equivalente a um maço por dia durante 20 anos ou 2 maços por dia durante 10 anos, entre outras possibilidades.
Rastreamento do câncer de pulmão da USPSTF: Atualizações das diretrizes ampliam o acesso
“Pesquisas mostram que detectar o câncer de pulmão mais cedo ajuda a melhorar os resultados”, explica a Dra. Sequist. “As novas diretrizes reduzem a idade mínima e o histórico de tabagismo exigido, permitindo que mais pessoas tenham acesso ao rastreamento.”
“Outro objetivo da atualização das diretrizes foi ajudar a reduzir as desigualdades no rastreamento do câncer de pulmão”, acrescenta ela. “Segundo as diretrizes anteriores, pessoas negras e mulheres tinham menor probabilidade de poder realizar o rastreamento do que pessoas brancas e homens.”
Quais são os fatores de risco do câncer de pulmão?
Os pesquisadores ainda estão descobrindo as causas e os fatores de risco do câncer de pulmão. “Um dos maiores fatores de risco é o tabagismo, mesmo que você tenha fumado no passado e não fume mais”, diz a Dra. Sequist. “Mas pessoas que nunca fumaram também podem ter câncer de pulmão, e estamos estudando por que isso acontece.”
Os fatores de risco conhecidos para câncer de pulmão incluem:
- Tabagismo
- Exposição à fumaça passiva
- Exposição à poluição do ar
- Exposição ao amianto
- Histórico familiar
- Exposição a vapores e produtos químicos em determinados locais de trabalho, o que aumenta o risco para bombeiros, militares, trabalhadores dos setores de transporte ou construção, agricultores e outras pessoas
- Exposição ao radônio
- Histórico anterior de radiação
- Uso crônico de alguns medicamentos imunossupressores
“Se você tiver algum desses fatores de risco, converse com seu médico sobre os sinais de alerta do câncer de pulmão aos quais deve ficar atento”, diz a Dra. Sequist.
Quais são os sintomas do câncer de pulmão?
“Os sintomas do câncer de pulmão geralmente só aparecem quando a doença está mais avançada”, diz a Dra. Sequist. “Felizmente, o número de pessoas que morrem de câncer de pulmão está diminuindo graças aos avanços na detecção precoce e no tratamento.”
Os sintomas do câncer de pulmão aos quais você deve ficar atento incluem:
- Tosse que persiste por semanas ou meses
- Tosse com sangue
- Perda de peso sem tentar emagrecer
Como é o processo de rastreamento do câncer de pulmão?
O exame de rastreamento recomendado para o câncer de pulmão é uma tomografia computadorizada (CT) de baixa dose. Esse exame usa um computador para combinar imagens obtidas de diferentes ângulos e criar imagens mais detalhadas do corpo. Não é necessário nenhum preparo antes do exame, e nenhuma agulha é inserida em seu corpo. O exame inteiro leva menos de 5 minutos.
“Se detectarmos o câncer de pulmão mais cedo com uma tomografia computadorizada, poderemos tratar a doença com mais eficácia e ter maior chance de cura”, explica a Dra. Sequist. “As tomografias computadorizadas para rastreamento do câncer de pulmão são muito seguras e mantêm a exposição à radiação no nível mínimo.”
Um radiologista interpreta a tomografia computadorizada e atribui ao exame uma categoria de risco com base na presença ou ausência de nódulos. Os nódulos pulmonares são pequenas manchas que geralmente correspondem a cicatrizes ou inflamações, mas também podem ser um sinal de câncer. Em exames de alto risco, seu profissional de saúde pode recomendar um acompanhamento mais próximo, um exame mais especializado ou uma biópsia. A biópsia é um procedimento de pequeno porte que remove um pequeno fragmento de tecido ou uma amostra de células do corpo para outros exames em laboratório. Em exames de baixo risco, seu profissional de saúde pode recomendar uma tomografia computadorizada de acompanhamento posteriormente.
O rastreamento regular do câncer de pulmão é muito importante porque os nódulos podem mudar com o tempo, e muitas vezes é assim que determinamos se uma pessoa pode ter câncer. Uma das melhores medidas para reduzir o risco de câncer de pulmão é parar de fumar.
Lecia Sequist, MD, MPH
- Oncologista clínica
- Mass General Brigham Cancer Institute
Os nódulos pulmonares são um sinal de câncer?
“A maioria dos nódulos pulmonares não é câncer”, explica a Dra. Sequist. Nódulos benignos podem ser causados por:
- Uma infecção anterior
- Refluxo ácido
- Inflamação
- Determinadas doenças autoimunes, como artrite reumatoide
- Cicatrizes decorrentes do tabagismo no passado ou da exposição à poluição
“O rastreamento regular do câncer de pulmão é muito importante porque esses nódulos podem mudar com o tempo, e muitas vezes é assim que determinamos se uma pessoa pode ter câncer. Uma das melhores medidas para reduzir o risco de câncer de pulmão é parar de fumar”, diz a Dra. Sequist.
Como o rastreamento do câncer de pulmão mudará no futuro?
Como muitos casos de câncer de pulmão ocorrem em pacientes que fumaram pouco, pararam há muitos anos ou nunca usaram tabaco, os pesquisadores buscam novos métodos de rastreamento que possam ser aplicados a um número ainda maior de pessoas.
“Novos avanços em testes genéticos e inteligência artificial estão nos aproximando da oferta de rastreamentos de câncer realmente personalizados”, diz a Dra. Sequist. “Em um futuro próximo, talvez seja possível diagnosticar o câncer em estágios ainda mais iniciais.”