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O que é mortalidade materna?

Colaborador
Nawal Nour, MD, MPH
Gestante abraça o filho em um sofá
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A mortalidade materna, ou seja, a morte de uma pessoa gestante durante a gravidez, o parto ou as semanas seguintes ao parto, é um dos eventos mais traumáticos que podem acontecer em uma família.

Os Centers for Disease Control and Prevention (CDC) informam que, em 2021, 1.205 mulheres morreram por causas maternas nos EUA, em comparação com 861 em 2020 e 754 em 2019. A taxa de mortalidade materna em 2021 foi de 32,9 mortes por 100.000 nascidos vivos, em comparação com 23,8 em 2020 e 20,1 em 2019.

“Uma morte materna é uma tragédia devastadora que afeta toda a família”, diz Nawal Nour, MD, MPH, obstetra-ginecologista e chefe do Department of Obstetrics and Gynecology no Brigham and Women's Hospital. “Infelizmente, os EUA têm uma das maiores taxas de mortalidade materna entre os países desenvolvidos.”

Quais são as principais causas de morte durante a gravidez e o período pós-parto?

Quatro condições causam a maioria das mortes maternas:

  1. Pressão alta (hipertensão): Isso ocorre quando o sangue exerce pressão excessiva sobre os vasos sanguíneos. A pressão alta não controlada pode levar a condições como pré-eclâmpsia ou eclâmpsia. Elas podem causar danos ao fígado e aos rins, convulsões, derrame, coma e morte.
  2. Hemorragia pós-parto: Isso acontece quando há sangramento maior do que o esperado depois do nascimento do bebê. O sangramento intenso pode ocorrer quando o útero não se contrai, ou diminui de tamanho, com rapidez suficiente após o parto. Também pode acontecer quando permanece tecido no útero depois do parto.
  3. Doença cardíaca: Certos tipos de doença cardíaca durante a gravidez podem colocar a vida da pessoa gestante em risco. Algumas pacientes iniciam a gravidez já com doença cardíaca. Outras a desenvolvem durante a gestação.
  4. Infecção: Bactérias podem causar uma infecção grave no útero conhecida como sepse.

Mortalidade materna e idade

Segundo os CDC, as taxas de mortalidade materna aumentaram com a idade materna. Em 2021, as taxas foram:

  • 20,4 mortes por 100.000 nascidos vivos entre mulheres com menos de 25 anos
  • 31,3 entre aquelas de 25 a 39 anos
  • 138,5 entre aquelas com 40 anos ou mais

A taxa de mortalidade materna entre mulheres com 40 anos ou mais foi 6,8 vezes maior do que entre mulheres com menos de 25 anos.

Mortalidade materna e raça

Pessoas gestantes de todas as raças correm risco de morte materna. Mas pessoas de grupos raciais e étnicos historicamente minorizados enfrentam um risco especialmente alto. Em 2021, as taxas de mortalidade materna entre mulheres negras foram significativamente maiores do que entre mulheres brancas e hispânicas. Os aumentos de 2020 para 2021 foram significativos em todos os grupos raciais e de origem hispânica.

Muitas questões sociais contribuem para os riscos à saúde de pessoas de grupos raciais e étnicos historicamente minorizados. Entre elas estão a insegurança alimentar, o estresse crônico, traumas, violência e racismo sistêmico. “Precisamos prestar mais atenção às nossas pacientes negras devido ao maior risco de mortalidade materna”, diz a Dra. Nour.

Em uma entrevista sobre mortalidade materna ao The Boston Globe, a Dra. Nour falou sobre as principais causas e sobre como as pacientes podem defender seus próprios interesses.

Este é o momento de ficar alerta. Se você sentir que algo está errado, não ignore. Se tiver qualquer problema, queremos saber. Ligue para nós ou venha ser atendida. Há muita coisa em jogo.

Nawal Nour, MD, MPH

  • Obstetra-ginecologista
  • Mass General Brigham

Prevenção de mortes relacionadas à gravidez

O Brigham and Women’s Hospital é líder nacional na implementação de medidas para proteger pacientes gestantes contra condições que ameaçam a vida. Segundo a Pew Charitable Trusts, até 60% das mortes maternas podem ser evitadas. Com isso em mente, as equipes de cuidados do Brigham estão adotando várias medidas para manter as pacientes seguras durante e depois da gravidez e do parto.

Pessoas gestantes com condições de saúde de alto risco recebem atenção adicional dos profissionais responsáveis por seus cuidados. Por exemplo, pacientes com pressão alta agora recebem aparelhos para medir a pressão arterial em casa. Se a pressão aumentar, elas são orientadas a ligar imediatamente para os médicos.

O Brigham também desenvolveu novas diretrizes rigorosas relacionadas ao sangramento durante o parto. As equipes de cuidados identificam pacientes com determinados fatores de risco para que os profissionais de saúde fiquem atentos. Os profissionais medem com muito cuidado a perda de sangue e estão preparados para oferecer tratamento rapidamente a pessoas gestantes com sangramento excessivo. As equipes de cuidados participam de treinamentos regulares para se preparar para responder a emergências com sangramento.

“Se conseguirmos identificar esses problemas cedo, teremos muito mais condições de salvar essas pacientes”, diz a Dra. Nour.

Como lidar com o viés inconsciente entre médicos

Para ajudar a proteger pessoas gestantes de grupos raciais e étnicos historicamente minorizados, o Brigham se concentra em combater o chamado “viés inconsciente” entre médicos. Pesquisas mostram que médicos brancos podem tratar pacientes de grupos raciais e étnicos historicamente minorizados de forma diferente, mesmo quando procuram ser justos. Por exemplo, podem tratar a dor de forma insuficiente ou subestimar a perda de sangue. Isso pode resultar em atendimento de pior qualidade e maior risco de morte materna para essas pessoas.

“Como médicos, precisamos garantir que nossos próprios vieses não interfiram no atendimento aos pacientes”, diz a Dra. Nour. “Aqui no Brigham, estamos trabalhando para aumentar a conscientização sobre esse problema, porque é algo com que nos importamos profundamente.”

Sinais de alerta durante a gravidez

As equipes de cuidados do Brigham também se concentram em criar um ambiente mais acolhedor para pessoas gestantes. “É importante que as pacientes tenham uma relação aberta e transparente com seus profissionais”, diz a Dra. Nour. “Queremos que elas se sintam à vontade para fazer perguntas e defender seus próprios interesses.”

Os médicos do Brigham incentivam pessoas gestantes e novos pais a prestar atenção a sintomas preocupantes. Eles incluem:

  • Confusão ou fala arrastada
  • Dor de cabeça ou alterações na visão
  • Sangramento intenso
  • Tontura ou sensação de desmaio
  • Dormência no rosto, nos braços ou nas pernas
  • Dor na vagina, no peito ou no abdômen
  • Batimento cardíaco acelerado

“Este é o momento de ficar alerta. Se você sentir que algo está errado, não ignore”, diz a Dra. Nour. “Se tiver qualquer problema, queremos saber. Ligue para nós ou venha ser atendida. Há muita coisa em jogo.”

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Saiba como a Mass General Brigham está tornando o atendimento clínico mais equitativo
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