Dieta para a doença de Parkinson
Nancy Oliveira, MS, RD, LDN
A doença de Parkinson é um transtorno neurodegenerativo que afeta as células nervosas (neurônios) do cérebro. Ela causa tremores, problemas de controle muscular e demência. Não há cura para a doença de Parkinson, mas existem tratamentos que ajudam a controlar e retardar a piora dos sintomas.
Mudanças no estilo de vida, como alimentar-se bem, fazer exercícios e reduzir o estresse, também podem ajudar no controle da doença de Parkinson. Nancy Oliveira, MS, RD, LDN, nutricionista da Mass General Brigham, explica o papel da alimentação e da nutrição na doença de Parkinson. Oliveira é gerente do serviço de nutrição e bem-estar do Brigham and Women’s Hospital.
Como a alimentação pode ajudar na doença de Parkinson?
“O processo da doença que leva ao Parkinson começa até uma década antes do surgimento dos sintomas”, diz Oliveira. “Vale muito a pena analisar fatores de estilo de vida, como a alimentação. Eles podem ajudar a adiar o início dos sintomas e retardar a progressão da doença.”
Ela afirma que existe um interesse recente em explorar a relação entre o microbioma intestinal e condições como a doença de Parkinson. Seu microbioma intestinal inclui todos os organismos microscópicos do trato digestivo. Algumas pesquisas indicam que o que você come afeta a saúde do cérebro e que a alimentação pode até ter um papel na prevenção da doença de Parkinson.
“Um grande estudo de Harvard sobre Parkinson mostrou que pessoas que consumiam muitos alimentos vegetais, incluindo frutas, verduras, legumes, feijões e grãos integrais, tinham menor risco de desenvolver a doença de Parkinson”, diz Oliveira. “As pessoas com baixo risco também consumiam bastante proteína magra e quantidades menores de gordura saturada.”
Pessoas com doença de Parkinson podem queimar mais calorias mesmo em repouso, o que significa que você precisa consumir mais calorias. Talvez seja necessário comer bem mais apenas para manter o peso.
Nancy Oliveira, MS, RD, LDN
- Nutricionista, Mass General Brigham
Qual é a melhor dieta para a doença de Parkinson?
Uma alimentação saudável para o coração também beneficia a saúde cerebral. “Isso acontece porque uma alimentação saudável para o coração faz bem aos vasos sanguíneos, incluindo os do cérebro”, diz Oliveira.
Então, quais alimentos são bons para a doença de Parkinson? Em vez de se concentrar em uma lista limitada de alimentos, Oliveira sugere seguir um padrão alimentar que inclua:
Uma grande variedade de alimentos vegetais
“A doença de Parkinson é uma condição inflamatória do cérebro. Estamos descobrindo que a inflamação no cérebro e no corpo está muito relacionada ao microbioma intestinal, formado pelos bilhões de micróbios, ou ‘bichinhos intestinais,’ que vivem no trato digestivo.”
Os micróbios intestinais benéficos adoram as fibras presentes nos alimentos vegetais. “Quando esses micróbios decompõem as fibras vegetais, produzem substâncias químicas com efeitos anti-inflamatórios no corpo”, diz Oliveira. “Essas substâncias também podem fortalecer sua função imunológica.”
Os alimentos vegetais que nutrem nossos micróbios intestinais incluem:
- Frutas
- Verduras e legumes
- Feijões e leguminosas
- Castanhas
- Grãos integrais
Alimentos probióticos
Para apoiar ainda mais seu microbioma, Oliveira sugere consumir alimentos probióticos que contêm microrganismos benéficos para a saúde intestinal. Entre os alimentos probióticos saudáveis estão:
- Kefir
- Kimchi
- Chucrute
- Pão de fermentação natural
- Iogurte
Ela só recomenda suplementos probióticos se você estiver sendo acompanhado por um profissional de saúde com conhecimento na área. “As doses elevadas de probióticos presentes nos suplementos podem ser excessivas para seu organismo”, diz ela.
Proteína magra e vegetal em quantidade suficiente
“É muito importante consumir proteína suficiente porque todas as células do corpo precisam dela diariamente”, diz Oliveira. Qual é a quantidade suficiente de proteína? “Recomendamos no mínimo 0,8 grama de proteína por quilo de peso corporal por dia.”
Para calcular seu consumo diário mínimo de proteína, multiplique seu peso em libras por 0,36. Por exemplo, se você pesa 150 libras, precisa de pelo menos 54 gramas de proteína por dia.
Sua proteína não precisa vir da carne. Na verdade, as proteínas vegetais podem ser muito benéficas. “Alguns estudos mostram que proteínas vegetais, como tofu, feijão, castanhas e tempeh, ajudam a reduzir a inflamação”, diz Oliveira. “E esses alimentos proteicos também contêm as fibras preferidas pelos micróbios intestinais.”
O horário em que você consome proteína pode ser importante se você toma levodopa, um tratamento comum para a doença de Parkinson. “Comer proteína ao mesmo tempo que toma levodopa pode reduzir a eficácia do medicamento”, diz Oliveira. Ela recomenda tomar levodopa pelo menos uma hora antes ou depois de consumir proteína.
Alimentos a evitar na doença de Parkinson
Oliveira afirma que, embora seja importante entender quais alimentos são bons para pessoas com Parkinson, a alimentação adequada não significa seguir regras rígidas, e sim adotar um padrão geral que ofereça o melhor suporte à saúde. “Trata-se do efeito sinérgico de muitos alimentos saudáveis diferentes trabalhando em conjunto”, diz ela.
Mas alguns tipos de alimentos não contribuem para esse padrão alimentar saudável. Ela recomenda limitar:
Gordura saturada
Uma alimentação com pouca gordura saturada é melhor para a saúde dos vasos sanguíneos porque esse tipo de gordura pode causar inflamação neles. “Você deve fazer o possível para manter os vasos sanguíneos do cérebro o mais saudáveis possível”, diz Oliveira.
Alimentos ultraprocessados e com poucos nutrientes
Alimentos ultraprocessados com longas listas de ingredientes, ingredientes artificiais, gorduras não saudáveis, açúcares adicionados e conservantes têm pouco valor nutricional. Eles também podem afetar negativamente seu microbioma. “Queremos incentivar o crescimento de micróbios intestinais benéficos, o que significa limitar esses tipos de alimentos ultraprocessados e consumir muitos alimentos ricos em nutrientes”, diz Oliveira.
Consumo excessivo de álcool
“Para pessoas com doença de Parkinson, recomendamos um consumo moderado de álcool, no máximo”, diz Oliveira. Segundo os Centers for Disease Control and Prevention (CDC), isso significa no máximo:
- Duas doses por dia para homens
- Uma dose por dia para mulheres
Certifique-se de comer o suficiente.
Com a doença de Parkinson, pode ser difícil comer o suficiente, especialmente quando você apresenta sintomas. Isso acontece por vários motivos:
- Seu metabolismo pode estar mais acelerado. “Pessoas com doença de Parkinson podem queimar mais calorias mesmo em repouso, o que significa que você precisa consumir mais calorias”, diz Oliveira. “Talvez seja necessário comer bem mais apenas para manter o peso.”
- Você pode ter dificuldade para mastigar e engolir. A doença de Parkinson afeta seus músculos, incluindo os que ajudam a engolir os alimentos, o que pode dificultar a alimentação.
- Você pode se sentir satisfeito mais rapidamente. Os músculos que movimentam os alimentos pelo trato digestivo podem não funcionar tão bem, fazendo com que o alimento saia do estômago mais devagar. Isso faz você se sentir satisfeito mais rapidamente e querer comer menos.
- Você pode estar cansado demais para comer. Comer exige energia, e talvez você não tenha vontade de se alimentar se já estiver cansado.
Para ajudar a combater esses problemas, Oliveira sugere consumir:
- Alimentos mais macios, que exigem menos mastigação
- Vitaminas nutritivas
- Sopas e ensopados
- Refeições menores e mais frequentes
- Bastante água
“Quando você consome proteína e nutrientes em quantidade suficiente, percebe um aumento no nível de energia”, diz Oliveira. “Isso ajuda porque, quando você está cansado, fica difícil comer.”
Ela recomenda trabalhar com um nutricionista registrado (RD) ao formar sua equipe de cuidados para Parkinson, pois alimentação e nutrição podem ser complexas. Um RD pode criar planos alimentares personalizados com alimentos de que você gosta, garantir que suas necessidades nutricionais sejam atendidas e ajudar a otimizar seu consumo de proteína.