Redução do risco de lesões na ginástica
Thomas Newman
Ginastas de elite têm muitas qualidades — são graciosos, fortes e ágeis. Mas até saltos, giros e acrobacias executados com perfeição podem causar lesões. Uma fração de polegada na direção errada pode causar diversas lesões graves.
"A ginástica, em qualquer nível, é um esporte de alto impacto e com risco de trauma", diz Thomas Newman, especialista em força e condicionamento do Mass General Brigham. "Qualquer pessoa que pratique ginástica em qualquer nível e por qualquer período de tempo acabará se lesionando."
Newman atua como principal especialista em desempenho no Center for Sports Performance and Research do Mass General Brigham. Segundo ele, os pontos-chave para praticar ginástica com saúde e sucesso são reduzir o risco de lesões e adotar medidas preventivas que ajudem a evitar problemas de longo prazo capazes de mudar a vida.
Lesões são comuns na ginástica
A ginástica é um dos esportes com maior risco de lesões. O relatório da NCAA sobre índices de lesões entre atletas universitários mostra que a ginástica fica atrás apenas da luta livre — com índice de lesões superior ao do futebol americano.
Um estudo com ginastas de alto nível mostra o impacto de uma mecânica inadequada: Mais de 90% dos ginastas se lesionam em uma determinada temporada, com média de 2,6 lesões por temporada por atleta. As lesões mais comuns foram:
- Entorses, que afetaram 19% dos ginastas
- Lesões na placa de crescimento (16%)
- Lesões ósseas (15%)
As regiões do corpo mais afetadas foram:
Grande parte da sobrecarga no corpo dos ginastas ocorre nas aterrissagens. Uma aterrissagem executada com perfeição pode gerar uma força de até 18 vezes o peso corporal do ginasta. Uma mecânica inadequada de aterrissagem transfere essa sobrecarga para partes do corpo que não conseguem suportá-la.
Como muitos ginastas começam a praticar ainda muito pequenos, essas forças e sobrecargas atuam sobre corpos em desenvolvimento durante anos. Isso pode aumentar o risco tanto de lesões traumáticas, como entorses, fraturas e concussões, quanto de lesões por sobrecarga, como fraturas por estresse, tendinite e problemas na placa de crescimento.
3 passos para prevenir lesões na ginástica
Apesar dos riscos, o esporte está se tornando cada vez mais popular. O número de jovens que praticam ginástica aumentou 12% de 2021 a 2023. Agora há 4,76 milhões de ginastas nos Estados Unidos com 6 anos ou mais.
Newman ressalta a necessidade de os pais coordenarem a preparação e o planejamento para manter jovens ginastas o mais saudáveis possível pelo maior tempo possível. Segundo ele, o benefício adicional é criar hábitos positivos que ajudarão esses jovens muito depois do fim da carreira na ginástica.
Segundo Newman, três passos podem ajudar a reduzir o risco de lesões na ginástica. A abordagem se baseia no trabalho de sua mentora, a lendária treinadora de ginástica Barbra Tonry. Ela propõe pensar na saúde do ginasta como três círculos que se cruzam — treinamento, recuperação e saúde integral.
Esses círculos se sobrepõem de maneiras diferentes ao longo da carreira do ginasta. O ideal é fazer com que se sobreponham o máximo possível.
O objetivo é manter as crianças o mais saudáveis possível e pensar na vida depois da ginástica. Reserve tempo para usar essa experiência como ferramenta de aprendizado, independentemente de quantos troféus você ganhar. Use a ginástica como uma ferramenta para levar esses aprendizados para o restante da vida.
Thomas Newman
- Especialista em força e condicionamento
- Mass General Brigham
1. A equipe certa para o treinamento de ginástica
A ginástica pode ser um esporte individual quando o atleta entra no tablado ou sobe nas barras, mas manter o ginasta saudável exige um verdadeiro trabalho em equipe, afirma Newman. Ter as pessoas certas ao redor dos jovens atletas é fundamental para o desempenho — e para a saúde.
A equipe do ginasta precisa incluir um treinador qualificado e devidamente credenciado, especialista em ensinar técnicas como aterrissagens corretas. Isso ajuda os atletas a lidar com as forças geradas por saltos e acrobacias complexas. Mas eles também precisam de um treinador de força e condicionamento, um fisioterapeuta e até um nutricionista esportivo, todos alinhados quanto ao treinamento adequado.
2. Recuperação para ginastas
O sono é uma das partes mais importantes — e muitas vezes negligenciadas — do plano de treinamento de um ginasta, afirma Newman. Ele é tão importante quanto a prática. Tecnologias vestíveis que monitoram a duração e a qualidade do sono podem ajudar a determinar se o ginasta está dormindo o suficiente para cicatrizar e se recuperar.
Mas o que Newman mais observa em atletas que não têm um sono de boa qualidade é a falta de higiene do sono. Ele recomenda que ginastas:
- Mantenham horários regulares de sono.
- Durmam em ambientes frescos e escuros.
- Evitem telas por pelo menos uma hora antes de dormir.
Newman sugere que os ginastas mantenham a rotina de higiene do sono também quando viajam para competições.
Outras ferramentas para a recuperação — como banhos frios, saunas, massagens e ioga — podem ajudar a:
- Reduzir a inflamação, ou lesão nos tecidos que pode causar inchaço
- Aumentar a flexibilidade
- Aliviar a dor muscular
- Melhorar a saúde mental do ginasta
O Center for Sports Performance and Research oferece uma suíte de recuperação para atletas de diferentes níveis competitivos. Newman orienta ginastas e pais a trabalhar com a equipe de treinamento para aprender a usar corretamente essas ferramentas adicionais e na ordem adequada.
"Se você não usar a sequência correta, estará perdendo uma oportunidade", disse Newman. "Essa sequência precisa ser otimizada não só para as necessidades específicas de cada pessoa, mas também ao longo do tempo. A sequência muda à medida que o ginasta evolui e cresce."
3. Saúde integral
Ginastas muitas vezes deixam de lado o treinamento mental, que também faz parte da saúde integral. Segundo Newman, o treinamento cognitivo (mental) para ginastas é tão importante quanto o treinamento no tablado. O treinamento mental não só melhora a coordenação e a capacidade de executar tarefas, como também aumenta a resiliência mental necessária para enfrentar pressão e adversidades.
Newman recomenda incluir um psicólogo do esporte desde cedo no treinamento do ginasta.
"A família pode oferecer apoio, mas é pouco provável que conheça as técnicas e estratégias mais recentes e eficazes de treinamento cognitivo", afirma.
Psicólogos do esporte conhecem essas estratégias e podem ser uma parte essencial da equipe principal de um jovem ginasta.
Construindo uma base sólida na ginástica
O objetivo de reduzir lesões não é criar ginastas medalhistas de ouro. Segundo Newman, trata-se de construir uma base sólida para a carreira esportiva e para uma vida mais bem-sucedida depois da ginástica — quando esse momento chegar.
"O objetivo é manter as crianças o mais saudáveis possível e pensar na vida depois da ginástica", acrescenta. "Reserve tempo para usar essa experiência como ferramenta de aprendizado, independentemente de quantos troféus você ganhar. Use a ginástica como uma ferramenta para levar esses aprendizados para o restante da vida."