Avanços no tratamento e na pesquisa da doença de Alzheimer
Você se esquece de onde colocou as chaves, do nome de uma pessoa conhecida que já encontrou ou se perde em um lugar familiar. É apenas distração ou falta de atenção? Ou isso pode ser um sinal de que você está desenvolvendo problemas de memória? Quando é hora de se preocupar?
Esquecer-se de algo de vez em quando é uma parte normal do envelhecimento — e de ser humano. Mas problemas de memória mais graves que atrapalham a vida cotidiana podem ser um sinal de demência.
Uma das formas mais comuns de demência é a doença de Alzheimer. A doença de Alzheimer afeta mais de 6 milhões de americanos, segundo o National Institute of Aging (NIA). Com o envelhecimento contínuo da população, esse número provavelmente aumentará.
“Precisamos entender melhor como a doença de Alzheimer se desenvolve. Na Mass General Brigham, buscamos as causas subjacentes. Esse conhecimento deve nos ajudar a encontrar tratamentos mais eficazes”, afirma Teresa Gomez-Isla, MD, neurologista da Mass General Brigham. Dra. Gomez-Isla é diretora da Memory Division no Massachusetts General Hospital, onde atende pacientes.
“Embora ainda não tenhamos uma cura, há esperança”, acrescenta ela.
O que é a doença de Alzheimer?
A doença de Alzheimer recebeu esse nome em homenagem ao Dr. Alois Alzheimer. Ele identificou a doença pela primeira vez em 1906, após examinar o cérebro de uma mulher que havia morrido de uma doença mental desconhecida. Ele observou lesões incomuns, aglomerados e fibras emaranhadas no tecido cerebral.
“Hoje chamamos essas lesões cerebrais de placas amiloides e emaranhados neurofibrilares. As placas e os emaranhados continuam sendo considerados as lesões características da doença de Alzheimer”, afirma a Dra. Gomez-Isla.
As placas e lesões danificam as áreas do cérebro que controlam a memória, o raciocínio, a linguagem e os comportamentos sociais.
A doença de Alzheimer geralmente afeta pessoas com mais de 65 anos. A doença de Alzheimer de início precoce é rara, mas pode afetar pessoas a partir dos 30 anos.
O que causa a doença de Alzheimer?
A causa exata da doença de Alzheimer é desconhecida. É possível que vários fatores diferentes se combinem, em vez de haver uma única causa específica. Esses fatores podem incluir:
- Alterações no cérebro relacionadas à idade
- Histórico familiar ou genética
- Fatores ambientais, como exposição a substâncias químicas
- Fatores relacionados ao estilo de vida, como nível de atividade física
Com os novos medicamentos disponíveis e uma compreensão cada vez maior das origens da doença de Alzheimer, podemos melhorar a vida dos pacientes e das pessoas cuidadoras em todos os lugares.
Teresa Gomez-Isla, MD
- Neurologista, Mass General Brigham
Quais são os sintomas da doença de Alzheimer?
Os sintomas podem ser sutis nos estágios iniciais e variar de uma pessoa para outra. Os sinais e sintomas da doença de Alzheimer em estágio inicial ou intermediário podem incluir:
- Perda de memória
- Confusão
- Dificuldade para realizar tarefas cotidianas
- Alterações de humor e personalidade
- Aumento de ansiedade, depressão ou agressividade
- Dificuldade para falar ou se comunicar
- Alterações nos padrões de sono
“À medida que a doença progride, a perda de memória e a confusão ficam mais evidentes. As pessoas podem até ter dificuldade para reconhecer familiares ou amigos”, afirma a Dra. Gomez-Isla.
Tratamentos para a doença de Alzheimer
Embora não haja cura para a doença de Alzheimer, alguns medicamentos podem ajudar a controlar os sintomas. Mais recentemente, a FDA aprovou novos medicamentos para pacientes nos estágios iniciais da doença. Esses medicamentos reduzem as placas amiloides no cérebro e podem desacelerar a progressão da doença. As pesquisas sobre medicamentos mais eficazes para a doença de Alzheimer continuam, e muitos outros estão sendo testados em estudos clínicos.
“Cada pessoa é única e responde de forma diferente a esses medicamentos. Pode levar algum tempo para encontrar o medicamento e a dose certos para você ou para uma pessoa querida”, afirma a Dra. Gomez-Isla.
Pesquisas sobre a doença de Alzheimer
A Dra. Gomez-Isla e seus colegas da Mass General Brigham estudam formas de diagnosticar e tratar melhor a doença de Alzheimer. “Esperamos usar esse conhecimento para prever quem desenvolverá a doença e criar terapias para adiá-la ou preveni-la”, explica ela.
Um estudo recente constatou que pessoas com dificuldade para usar um menu telefônico simples podem correr risco de desenvolver a doença de Alzheimer. “Os dados desse estudo mostram que talvez possamos identificar e tratar as pessoas muito antes de elas apresentarem sintomas significativos”, afirma a Dra. Gomez-Isla.
A Mass General Brigham também realizou um estudo de longo prazo com uma grande família colombiana que tinha histórico de doença de Alzheimer de início precoce causada por uma mutação genética. Os resultados do estudo com portadores da mutação mostraram que as placas amiloides estavam presentes 15 anos antes do início dos sintomas.
“Esses estudos pioneiros nos proporcionam uma compreensão mais profunda da doença. Eles também oferecem possíveis pistas essenciais para desenvolver tratamentos futuros capazes de impedir que as pessoas desenvolvam a doença de Alzheimer”, afirma a Dra. Gomez-Isla.
Existe alguma forma de prevenir a doença de Alzheimer?
“Como não sabemos o que causa a doença de Alzheimer, não temos certeza de como preveni-la”, afirma a Dra. Gomez-Isla.
Adotar hábitos de vida saudáveis pode ajudar a reduzir o risco de doença de Alzheimer. Veja o que você pode fazer:
- Previna a hipertensão e monitore sua pressão arterial.
- Controle os níveis de açúcar no sangue.
- Mantenha um peso saudável.
- Mantenha-se fisicamente ativo e faça exercícios regularmente.
- Pare de fumar.
- Consuma álcool apenas com moderação.
- Previna e corrija a perda auditiva.
- Durma o suficiente.
- Mantenha-se socialmente ativo.
Embora ainda não se saiba muito sobre as causas da doença de Alzheimer, novas pesquisas e tratamentos promissores podem oferecer mais opções aos pacientes no futuro.
“Com os novos medicamentos disponíveis e uma compreensão cada vez maior das origens da doença de Alzheimer, podemos melhorar a vida dos pacientes e das pessoas cuidadoras em todos os lugares”, afirma a Dra. Gomez-Isla.