Câncer de mama: Fatores de risco, sintomas e rastreamento
Depois do câncer de pele, o câncer de mama é o câncer mais diagnosticado entre as mulheres nos Estados Unidos.
Amy Comander, MD, oncologista especializada em câncer de mama, incentiva todas as mulheres a conhecerem os fatores de risco, os sintomas e as recomendações mais recentes de rastreamento do câncer de mama. Ela é diretora médica do Mass General Brigham Cancer Institute em Waltham e diretora do Breast Oncology Program do Newton-Wellesley Hospital.
Neste artigo, a Dra. Comander responde a perguntas comuns sobre o câncer de mama e apresenta medidas que as mulheres podem tomar para ajudar a reduzir o risco de desenvolver a doença.
O que é câncer de mama?
O câncer de mama pode começar em qualquer parte da mama. Ele ocorre quando células malignas (cancerosas) crescem e se multiplicam de forma descontrolada. A mama é formada por lóbulos e ductos.
Há dois tipos de câncer de mama:
- O carcinoma ductal invasivo começa nas células dos ductos. Esse é o tipo mais comum de câncer de mama.
- O carcinoma lobular invasivo começa nos lóbulos.
Fatores de risco do câncer de mama
Uma combinação de fatores pode contribuir para o risco de câncer de mama, mas a maioria dos casos ocorre em mulheres com 50 anos ou mais. Embora seja raro, homens também podem ter câncer de mama.
Algumas mulheres têm câncer de mama mesmo sem outros fatores de risco conhecidos. Ter um fator de risco não significa que você terá a doença, e nem todos os fatores de risco têm o mesmo peso. Muitas mulheres apresentam alguns fatores de risco para câncer de mama, mas a maioria não desenvolve a doença.
“Embora alguns fatores de risco não possam ser alterados, outros podem”, diz a Dra. Comander. “Converse com seu profissional de atenção primária (PCP) ou ginecologista sobre seu histórico de saúde e estilo de vida. Juntos, vocês podem conversar sobre as opções de rastreamento do câncer de mama e as medidas que você pode tomar para ajudar a reduzir seu risco.”
Fatores de risco que você não pode alterar
- Envelhecer. O risco de câncer de mama aumenta com a idade.
- Histórico familiar de câncer de mama. Seu risco de câncer de mama é maior se sua mãe, irmã ou filha (parente de primeiro grau), ou vários familiares do lado materno ou paterno, tiveram câncer de mama ou de ovário. Ter um parente de primeiro grau do sexo masculino com câncer de mama também aumenta seu risco. Converse com seu médico sobre seu histórico familiar de saúde e se o rastreamento genético para câncer de mama e de ovário pode ser adequado para você. Se você herdou alterações (mutações) em certos genes, como BRCA1 e BRCA2, tem maior probabilidade de desenvolver esses tipos de câncer do que outras mulheres.
- Histórico reprodutivo. Começar a menstruar antes dos 12 anos e entrar na menopausa depois dos 55 anos expõem as mulheres aos hormônios por mais tempo. Isso aumenta o risco de câncer de mama.
- Ter mamas densas. Mamas densas têm mais tecido conjuntivo do que tecido adiposo. Isso pode dificultar a visualização de tumores em uma mamografia. Mulheres com mamas densas têm maior probabilidade de desenvolver câncer de mama.
- Histórico pessoal de câncer de mama ou de certas doenças mamárias não cancerosas. Mulheres que já tiveram câncer de mama têm maior probabilidade de desenvolver a doença novamente. Algumas doenças mamárias não cancerosas estão associadas a um risco maior de câncer de mama. Essas condições incluem hiperplasia ductal atípica, hiperplasia lobular atípica ou carcinoma lobular in situ.
- Tratamento anterior com radioterapia. Mulheres que fizeram radioterapia no tórax ou nas mamas antes dos 30 anos apresentam maior risco de desenvolver câncer de mama mais tarde. Por exemplo, mulheres que fizeram radioterapia para tratar linfoma de Hodgkin apresentam risco maior.
- Exposição ao medicamento dietilestilbestrol (DES). Entre 1940 e 1971, algumas gestantes tomaram DES nos Estados Unidos para prevenir aborto espontâneo. Elas apresentam maior risco de desenvolver câncer de mama. Mulheres cujas mães tomaram DES durante a gestação delas também podem apresentar maior risco de câncer de mama.
Fatores de risco que você pode alterar
- Ter um estilo de vida sedentário. Mulheres que não praticam atividade física apresentam maior risco de câncer de mama do que mulheres ativas.
- Estar acima do peso ou ter obesidade após a menopausa. Mulheres mais velhas que estão acima do peso ou têm obesidade apresentam maior risco de câncer de mama do que aquelas com peso saudável.
- Tomar hormônios. Algumas formas de terapia de reposição hormonal (as que incluem estrogênio e progesterona) usadas durante a menopausa podem aumentar o risco de câncer de mama quando tomadas por mais de 5 anos. Certas pílulas anticoncepcionais podem aumentar ligeiramente o risco de câncer de mama.
- Histórico reprodutivo. Ter a primeira gestação depois dos 30 anos, não amamentar e nunca ter tido uma gestação a termo podem aumentar o risco de câncer de mama.
- Consumir bebidas alcoólicas. Estudos mostram que o risco de câncer de mama aumenta conforme a quantidade de álcool que uma mulher consome.
Pesquisas sugerem que outros fatores, como fumar, ser exposta a substâncias químicas que podem causar câncer e alterações em outros hormônios devido ao trabalho noturno, também podem aumentar o risco de câncer de mama.
Como você pode reduzir o risco de câncer de mama?
Faça estas mudanças no estilo de vida para ajudar a reduzir o risco de câncer de mama:
- Mantenha-se ativa. Encontre atividades de que você goste, como caminhar, andar de bicicleta, dançar, nadar ou praticar ioga.
- Mantenha um peso saudável. Uma alimentação saudável combinada com atividade física regular pode ajudar você a manter um peso saudável.
- Converse com seu médico sobre tratamentos hormonais durante a menopausa. Juntos, vocês podem avaliar os benefícios e riscos por meio da tomada de decisão compartilhada.
- Limite o consumo de álcool. É melhor limitar o consumo de álcool. O transtorno por uso de álcool (AUD) está aumentando entre as mulheres. Saiba que o AUD é uma condição tratável. Seu médico pode colocar você em contato com uma equipe capaz de desenvolver um plano de tratamento adaptado à sua condição e às suas necessidades.
- Pare de fumar. Converse com seu profissional de saúde se precisar de apoio para parar de fumar. Há muitos tratamentos eficazes que você pode experimentar.
É importante conhecer bem seu próprio corpo e fazer o autoexame das mamas regularmente. Assim, se você notar alguma alteração, poderá assumir um papel ativo no cuidado com sua saúde.
Amy Comander, MD
- Oncologista especializada em câncer de mama, Mass General Brigham Cancer Institute
Rastreamento do câncer de mama
Os médicos geralmente verificam a presença de câncer de mama por meio de um exame das mamas ou de uma mamografia de rastreamento, que é uma radiografia da mama com baixa dose de radiação.
“Dependendo de seus fatores de risco, a American Cancer Society recomenda que você e seu médico considerem iniciar os exames de rastreamento regulares aos 40 anos”, explica a Dra. Comander. “Mulheres de 45 a 54 anos devem fazer mamografia todos os anos; já as mulheres com 55 anos ou mais podem passar a fazê-la a cada dois anos ou continuar com o rastreamento anual. “
“Outras organizações recomendam que as mulheres comecem o rastreamento mais cedo.” Ela acrescenta. “Por exemplo, a U.S. Preventive Services Task Force agora recomenda que todas as mulheres façam o rastreamento do câncer de mama a partir dos 40 anos.“
Se você tem histórico familiar de câncer de mama, pode ser candidata a testes genéticos.
Algumas mulheres também podem ser orientadas pelo médico a fazer rastreamento com ressonância magnética (MRI) das mamas ou ultrassom mamário de rastreamento.
Sinais e sintomas do câncer de mama
“É importante conhecer os sinais e sintomas do câncer de mama, mesmo que você tenha feito uma mamografia recentemente”, orienta a Dra. Comander.
Os sinais e sintomas do câncer de mama incluem:
- Nódulo ou inchaço próximo à mama, inclusive na axila
- Alteração no tamanho ou formato da mama
- Espessamento do tecido mamário
- Inversão do mamilo (quando o mamilo é puxado para dentro)
- Secreção pelo mamilo, principalmente se tiver sangue
- Dor ou sensibilidade na mama
- Enrugamento ou formação de covinhas na pele da mama, ou
- Descamação ou vermelhidão da pele da mama ou do mamilo
Autoexame das mamas
“É importante conhecer bem seu próprio corpo e fazer o autoexame das mamas regularmente”, diz a Dra. Comander. “Assim, se você notar alguma alteração, poderá assumir um papel ativo no cuidado com sua saúde. Se notar um nódulo, não entre em pânico. A maioria dos nódulos é benigna ou não cancerosa. Se você tiver um nódulo, é recomendável marcar uma consulta com seu PCP ou ginecologista para fazer um exame físico e uma mamografia.“
Novo estudo do Mass General Brigham: ChatGPT 4 se destaca na seleção dos exames de imagem certos para o rastreamento do câncer de mama
O Mass General Brigham lidera novas pesquisas que levam aos nossos pacientes as opções mais recentes e avançadas de rastreamento e tratamento.
Um estudo sobre inteligência artificial (AI) realizado por pesquisadores do Mass General Brigham constatou que modelos de linguagem de AI, como o ChatGPT, conseguem identificar com precisão os serviços de diagnóstico por imagem adequados para rastrear o câncer de mama e avaliar a dor mamária.
Os resultados, publicados no Journal of the American College of Radiology, sugerem que os grandes modelos de linguagem têm potencial para auxiliar médicos de atenção primária e profissionais solicitantes na tomada de decisões. No futuro, esses modelos poderão ajudar os médicos a avaliar pacientes e solicitar exames de imagem para dor mamária e rastreamento do câncer de mama.
Antes que qualquer AI seja usada na tomada de decisões médicas, ela precisaria passar por testes abrangentes de viés e questões de privacidade, além de ser aprovada para uso em ambientes médicos. Novas regulamentações sobre AI médica também podem influenciar muito o que chega aos ambientes de atendimento ao paciente.